
1) A ideia generalizada e enraizada na nossa população de que os políticos são corruptos por definição - logo, todos roubam, portanto mais vale eleger os que "fazem", já que qualquer outro seria igualmente ladrão.
2) O facto de a nossa população não considerar este tipo de crimes moralmente condenável - a maioria das pessoas acha perfeitamente normal que os políticos (ou qualquer outras pessoas) "aproveitem" as oportunidades e enriqueçam pelo suborno e a fuga aos impostos; no fundo sentem inveja e gostariam de poder fazer o mesmo. Enriquecer pelo trabalho honesto é tão trabalhoso...
Portanto, não me admira o sucesso eleitoral de pessoas como Isaltino, Valentim Loureiro ou Fátima Felgueiras. Representam o que os portugueses admiram e invejam: os chicos-espertos que vencem na vida sem grande esforço e escapando à legalidade/autoridade, que é vista como uma espécie de pai severo que sabe bem enganar.
Infelizmente para mim, não partilho dessas opiniões. Não acho que um político seja necessariamente corrupto, se muitos são isso não é desculpa, e deveriam ser punidos precisamente para desencorajar outros de o serem. E tenho a careta convicção de que a honestidade é uma virtude e que devemos ser éticos e cooperar de forma limpa - pagando impostos, sendo competenetes, etc - para construirmos uma sociedade civilizada e melhor. Azar meu, pois lá terei novamente um presidente da câmara que obviamente não partilha destas ideias tão aborrecidas...
1 comentário:
Muito boa análise!
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