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sexta-feira, janeiro 05, 2007

A Rainha, de Stephen Frears


The Queen é um filme interessante e engraçado. O que mais se destaca é obviamente a fantástica interpretação de Helen Mirren, que está perfeita. Também as escolhas para os intérpretes do príncipe Filipe e de Blair estão excelentes. De resto, é uma boa reflexão sobre um estranho período de histeria colectiva, as reacções institucionais às mudanças do mundo e o papel da monarquia britânica actualmente. Os diálogos são inteligentes e bem humorados, com vários pontos hilariantes - como as intervenções da rainha-mãe e várias de Filipe, ou os encontros de Blair com a rainha. Não sei se já há nomeações para os oscares, mas Helen Mirren parece-me desde já uma candidata difícil de bater.

quarta-feira, junho 27, 2007

Marie Antoinette, de Sophia Coppola



A primeira frase que me veio à cabeça quando acabei de ver este filme foi a de uma crónica de Vasco Pulido Valente: “um filme frívolo sobre uma rainha frívola” (cito de memória, podem não ser exactamente estas as suas palavras). Com efeito, o que fica de Marie Antoinette de Sophia Coppola é um filme visualmente bonito (candy for the eyes, como li algures numa crítica americana), mas em que tudo é tratado de forma extremamente superficial e em que se fica com uma sensação de um enorme desperdício de meios – foram autorizados a filmar em Versalhes. Fico com a ideia de que os louvores com que a crítica cobriu o filme se devem a uma de três coisas (ou às três combinadas): o crédito acumulado por Sophia Coppola pelo seu nome e por Virgin Suicides, que já lhe valeu no incensamento de Lost in Translation, a beleza visual do filme (caras bonitas, belos décors, muita, muita roupa) ou a aparente originalidade que se limita a usar música pop na banda sonora de um filme de época (e que nem sequer é assim tão original). Acho os filmes de Sophia Coppola de um interesse decrescente: Virgin Suicides era interessante e tocante, Lost in Translation pretensioso e banal, e Marie Antoinette é pretensioso e... frívolo, é mesmo a melhor palavra.

Parece-me que a biografia de Maria Antonieta merecia melhor, não porque tenha qualquer admiração pela personalidade (frívola) da rainha mas porque sempre me fascinou o seu percurso de vida: dos píncaros da frivolidade, riqueza e posição a uma cela da Conciergerie e à guilhotina (parte que o filme nem sequer aborda, pois termina com o final do período de abundância). Aliás, é essa a ideia do subtítulo da biografia de Antonia Fraser – The Journey (biografia em que se baseou Marie Antoinette, que contou com a autora como consultora). No entanto, gosto pouco desta biografia, que comprei há uns anos num quiosque de aeroporto: muito detalhada, cheia de factiúnculos, mas excessivamente hagiográfica (sempre com a preocupação de desculpar a rainha; do género: “gastava x francos em plumas e vestidos, mas no ano de 1784 a sua contribuição para caridades foi de y”), não conseguindo de todo recriar uma pessoa convincente. Muito melhor é de longe a biografia de Stefan Zweig, que sem ser factualmente exaustiva (mas contando basicamente o mesmo) apresenta uma Maria Antonieta humana e convincente nos seus actos, erros e tolices, uma mulher normal apanhada numa conjuntura particularmente turbulenta da História.

sábado, julho 18, 2009

The Visit of the Royal Physician, de Per Olov Enquist

Este é outro dos livros de autores suecos que comprei em Estocolmo. Gostei muito. Trata de um episódio da História da Dinamarca, no século XVIII, quando o médico alemão do rei louco Cristiano VII tentou aplicar os princípios ideológicos do Iluminismo numa Dinamarca atrasada e absolutista, terminando derrotado pelos conservadores ao fim de dois anos. A história é fascinante, ainda mais por ser verdadeira, e o livro está tremendamente bem escrito - num tom simples, quase de conto de fadas, contrastando com a riqueza dos conteúdo, das personagens e das ideias. O autor trata das questões do poder, da aplicaçõa dos ideiais, do choque entre a ideologia e a prática política, e as personagens são incrivelmente reais e convincentes, desde o rei instável e perturbado destruído por uma educação maquiavélica, a rainha criança que cresce e floresce estimulada pelas circunstâncias, ao médico idealista e atormentado pelo remorso e o devoto humilhado atormentado pelo pecado, passando por várias outras menos importantes. Muito bom.