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New York I Love You é um filme simpático, com algumas partes muito boas e boas interpretações e outras um bocado chochas. No conjunto, gostei menos do que de Paris Je t'Aime, mas vale a pena ver.
The International, de Tom Tykwer (só depois vi que era o mesmo realizador do óptimo Run, Lola, Run), é um thriller razoável, adaptado à realidade actual - os maus são os bancos multinacionais - com algumas boas sequências de acção e muitos planos turísticos de cidades como Istambul, Nova Iorque e Milão. Clive Owen, Naomi Watts e Armin Müller-Stahl estão muito bem, como sempre, ele forçando um pouco a nota do herói solitário e atormentado (algumas deixas do guião são um pouco excessivas, como quando ele diz a Naomi Watts: "Comes a time when you have to know which bridges to cross and which to burn. I'm the one you burn." - seguido de um prolongado close up do rosto másculo e profundo do herói...). Mas é um filme agradável de ver.

Um romance interessante, muito bom, que se passa em Praga mas poderia passar-se aqui em Lisboa ou em qualquer outra cidade ocidental. Trata dos sentimentos de desmotivação e falta de esperança e de sentido da via tão comuns na nossa sociedade actual; as referências e os pormenores são locais - a ocupação nazi, o comunismo, o pós-comunismo - mas os problemas e os sentimentos focados são universais. Por motivos óbvios, tocou-me particulrmente o problema da filha adolescente e toxicodepndente. Apesar do tom gloomy que permeia todo o livro, termina com uma nota de optimismo, sem respostas definitivas mas com uma mensagem de esperança.

Mais uma excelente descoberta literária das minhas viagens! Nunca tinha ouvido falar de Jan Neruda antes de ir a Praga, e descobri que não só dá o nome a uma das ruas mais turísticas da cidade (onde morou) como é a origem do pseudónimo literário de Pablo Neruda. 
Depois da óptima eperiência com os livros suecos, resolvi fazer o mesmo em Praga, e escolhi uma amostra de livros de autores checos (em inglês, claro) numa das muitas boas livrarias da cidade. Até agora só conhecia Kafka (que aliás escrevia em alemão) e Kundera. Comecei por I Serve the King of England, de Bohumil Hrabal, e só espero que os próximos tenham a mesma qualidade. Gostei muito deste livro: escrito na primeira pessoa, as memórias fictícias de um criado de hotel aspirante a milionário passadas no período dos anos 30 aos anos 50, consegue mostrar, através da perspectiva de um homem de uma ingenuidade a tocar a tolice, a forma como aquele período histórico fundamental foi vivido pelos Checos. Todas as referências que entretanto vi sobre Bohumil Hrabal enfatizam a dificuldade da sua tradução, por ser tão enraizadamente checo na escrita e no humor. E de facto, sente-se ao longo de todo o livro um espírito muito especial, de um humor picaresco e irreverente, de um carácter resistente, acomodatício e casmurro, a que estive especialmente atento depois de ter visitado Praga e lido o divertido Xenophobe Guide to the Czechs (esta série é um delícia!). Tão diferente do espírito sério e nostálgico dos autores escandinavos!
Truman Capote escrevia muito bem, tinha um sentido de humor acerado e satírico, e este livro reúne os seus ensaios, que o mostram no seu melhor e no seu pior. O melhor, por exemplo, The Muses are Heard, uma reportagem deliciosa sobre uma tournée de Porgy and Bess na Rússia em 1955, ou Handcarved Coffins, uma história negra sobre crimes em série. O pior, como o texto sobre um cruzeiro no Mediterrâneo, em que se limita a enumerar os seus "amigos" ricos e famosos, e outros textos em que o que se destaca é o seu snobismo e auto-indulgência - como anedotas repetidas e atribuídas a diferentes pessoas ou a ele próprio. No conjunto, um livro interessante e agradável de ler, como a maioria da prosa de Capote; no entanto não se consegue levá-lo tão a sério como ele gostaria e pretendia.
As sondagens sobre as eleições autárquicas em Oeiras prevêem uma confortável vitória de Isaltino, apesar de ter sido condenado a 7 anos de prisão - o que por este tipo de crimes é bastante raro no nosso país, o que significa que as provas contra ele eram esmagadoras. Infelizmente, isto não me surpreende, e acho que estes resulatdos se devem a duas razões:
Terminei a minha série de livros escandinavos com um autor norueguês, a respeito do qual sentia bastante curiosidade. Foi um autor muito influente no princípio do século XX, e ainda este ano tinha encontrado referências à sua importância literária nos livros de Canetti e de Amos Oz, e tornou-se depois um escritor "maldito" pelo apoio que deu ao nazismo. Para quem gosta de explorar os escritores como eu, torna-se muitas vezes difícil separar o autor da sua obra, mas há imensos casos de livros excelentes escritos por pessoas que seguramente não gostaria de ter conhecido e cujas opiniões e vidas não aprovo. Neste caso, gostei bastante do livro, um épico sobre a colonização dos espaços selvagens da Noruega, um hino ao trabalho e à vida rurais e aos camponeses, tratados como uma espécie de heróis mitológicos do nosso tempo. As personagens são muito reais, embora o autor revele uma certa misoginia - as mulheres são sempre apresentadas como mais calculistas e mesquinhas e menos "puras" que os homens. A história flui suave e firmemente, como a sucessão das estações, dos trabalhos agrícolas e da vida familiar. Fez-me lembrar alguns livros que li há muitos anos, como O Don Tranquilo ou Terra Bendita. Está muito bem escrito, transmitindo uma grande ternura e admiração pela beleza da vida rural e da relação daqueles pioneiros com a natureza que desbravam e respeitam. E acho que visualizei melhor o romance depois de ter passado pelo norte da Noruega e visto as pequenas casas de madeira pintadas de encarnado contra as montanhas, como na fotografia da capa do livro.